Somos seres-para-a-morte

#morte #psicologia #fenomenologia #impotência #ressignificar


Morte: Um tema muito evitado, uma palavra que carrega consigo um peso imensurável, não é para menos, é muito doloroso falar ou lidar com perdas. A proposta dessa reflexão é apresentar a morte com um olhar diferente, o objetivo não é provocar insensibilidade em relação a tal fato, mas tentar olhá-la com outros olhos, de uma maneira que não estamos tão acostumados.


Heidegger, um importante autor da Psicologia Fenomenológico Existencial, nos ensina que somos seres-para-a-morte, nascemos para morrer, e saber disso pode nos ajudar a refletir melhor sobre a vida, sabendo que ela é finita poderemos pensar melhor o que fazer enquanto desfrutamos dela, podemos dar novos significados.



Somos seres-para-a-morte


Todos já perdemos alguém querido e no momento que recebemos a notícia nos deparamos com um grande vazio, uma sensação inexplicável de que o mundo iria acabar, que não existe sentido na vida sem aquela pessoa, e além dos diversos outros sentimentos que nos defrontamos, temos um sentimento em especial: o de IMPOTÊNCIA, e sim, somos impotentes em relação a morte, não há como revertê-la. Viver é incerto, mas uma coisa é certa: somos finitos. Alguns evitam falar sobre isso, muitas vezes vejo pessoas falando sobre sua aversão a velórios e cerimônias de despedida, a questão é que mesmo que esses evitem tal situação, um dia terão de encará-la.


Pensar o processo de luto é algo extremamente complicado, mas ele precisa ser vivido, sentido e trabalhado, com o passar do tempo a ferida da perda vai sendo cicatrizada, mas por outro lado a saudade vai aumentando. Com o tempo voltamos a nossa vida, às nossas tarefas, a saudade fica, mas vamos aprendendo a lidar, dando um novo olhar, ressignificando.


Quando estamos enlutados é comum nos remetermos às lembranças da pessoa que se foi, os sentimentos se misturam e a gente acaba pensando no que poderia ter feito e não fizemos e aí caímos em um sentimento comum: sentimos CULPA. Em outra ocasião escrevi sobre relacionamentos, sobre o fato das pessoas pouco pensarem em como seria a vida sem o parceiro(a), e essa ideia também se aplica no contexto da temática aqui apresentada. Viver negando a morte é semelhante a viver negando a vida, é ter a ideia de que tudo pode ser simplesmente adiado, que dá pra fazer depois, e infelizmente pode ser que o depois seja tarde demais. A tal “culpa” pode ser amenizada caso a gente viva da melhor forma que conseguimos ao lado das pessoas que amamos hoje, enquanto há tempo, aproveitando o que podemos fazer no momento presente, pois quando a morte chega não há negociações ou espera, não há pausa para despedida, ela simplesmente chega e arranca, para nunca mais voltar.


A morte vai chegar, mas ela ainda não chegou, podemos aproveitar a vida intensamente enquanto ela nos está disponível. Mas quando a morte vai chegar? Não temos respostas, pode ser amanhã ou daqui 50 anos, o importante é que ela ainda não chegou e podemos virar esse jogo, ao invés de sermos surpreendidos pela morte, podemos nos surpreender com vida, desfrutando-a, fazendo nossos sonhos e projetos acontecerem. O tempo é algo muito peculiar quando falamos de morte, ser jovem não significa ter a vida inteira, ser idoso não significa morrer amanhã, alguns lidam melhor com perdas após dias, outros após meses, mas uma coisa é certa em relação ao tempo: Ele está passando. Como diria Rubem Alves: “A morte nunca fala sobre a morte. Ela só fala sobre a vida, e ela sempre nos pergunta: - O que é que você está esperando?”.


Gabriela Biaggio – Psicóloga CRP 06/129903


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Maicon Danese

Psicólogo

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